1.2 Aprender com o vídeo e a câmera. Para além das câmeras,
as idéias
Laura Maria Coutinho
Penso numa perspectiva de pedagogia de projetos uma
delas deveria ser justamente esta: a de integrar todas as linguagens que as
diferentes mídias permitem e realizar uma grande conversa entre elas. Uma
conversa que, ao acontecer dentro das escolas, permitisse o acesso não apenas
às máquinas-em torno das quais, muitas vezes, ficam reduzidas as discussões
sobre tecnologia-mas, sobretudo, às diversas formas de expressão que cada uma
delas possa despertar em professores e alunos.
De certa forma, o que ocorre com quem pega, pela
primeira vez, numa câmera de cinema ou vídeo pode estar relacionado com o
fenômeno tão bem pensado por Walter Benjamin no seu texto A obra de arte na era
de sua responsabilidade écnica.Tudo, quanto mais se aperfeiçoam as técnicas,
sobretudo as digitais, pode ser reproduzido, repetido, repensado, refeito, ao
infinito, sem que com isso se perca o sentido primordial do ato de criar, ou
seja, sua originalidade. Tudo fica a depender de como esse trabalho de criação
aconteça.
As escolas podem ser as oficinas que engedram a nova
cultura se professores e alunos aprenderem a superar as intrangigências.
Aprender que essa linguagem que é outra e a mesma
sempre é, pois, um desafio para todos, ultrapassando a idéia de aprender e
ensinar que marca fortemente a educação. A televisão expressa uma linguagem
pública, por isso mesmo alegórica, feia para uma massa de pessoas que conhece
seus rudimentos e, muitas vezes, adentrou o universo da linguagem audiovisual
sem dominar os códigos da língua escrita. Educar para a televisão envolve ações
que procuram, principalmene, formar um telespectador criterioso, ue saiba ver
com clareza o que lhe é apresentado, que possa escolher com competência o que
deseja, ou não, ver. Educar com a televeisão abrange aividades que lançam mão
da linguagem televisiva para a apresentação e o desenvolvimento de determinados
assuntos ou coneúdos. E também aquelas ações, ainda raras, que introduzem o
aluno no universo da realização audiovisual, possibilitando a expressão e
acriação próprias por meio dessa nova linguagem.
A narrativa da televisão é feita de imagens e sons,
mas também de tempo e espaço. A escola está tão preocupada com sua própria
estrutura feita de conteúdos, de grades curriculares, de seriações, que se
esquece de ver e desentir outras dimensões das coisas, das narrativas que
utiliza, enfim, da própria vida que pulsa dentro e fora dela. Um filme, por
exemplo, não cabe na escola. Para que aconteça uma projeção, são necessários
verdadeiros malabarismos, novos arranjos de turmas, horários extras, acordos
apressados. Tudo isso porque a escola ainda é uma instituição muito restrita a
duas linguagens apenas: a escrita e a oral. Os novos meios, mesmo incorporando
os antigos, ao criarem as novas linguagens propôem igualmente novas formas de
estar no mundo e- por que não- também na escola.
O audiovisual alcança níveis da percepção humana que
outros meios não. E, para o bem ou para o mal, podem se conituir em fortes
elemenos de criaçãi e modificação de desejos e de conhecimentos, superando os
conteúdos e os assuntos que os programas pretendem veicular e que, nas escolas,
professores e alunos desejam receber, perceber e, a partir deles, criar os
mecanismos de expansão de suas próprias
idéias.
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